O trauma ocasionado por acidentes de trânsito é epidêmico no Brasil”, informa André Pedri – nelli, médico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) constata que 40% dos acidentes com motocicletas são provocados por quedas; 17% por colisão frontal; 28% por choque lateral; e 1% colisão traseira. Entre os atropelamentos, em 9% dos casos o paciente é o motociclista e, em 5%, o pedestre.

Data é comemorada amanhã, com números preocupantes; País registra cerca de 12 mil mortes por ano em ocorrências com moto

Outro dado do estudo indica que 46 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito por ano no Brasil. “Estatisticamente, para cada morte, quatro sobrevivem com sequelas, o que representa elevado custo financeiro ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, informa o médico do HC. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), metade dos leitos hospitalares públicos do País é ocupada por vítimas desse tipo de ocorrência.

O levantamento também constatou que, em vários hospitais brasileiros, 47,7% dos acidentes com motos ocorrem no período da manhã e 44,6% à tarde. Menos de 10%, portanto, acontecem à noite, quando a visibilidade é menor. “Os motociclistas também têm participação nos desastres porque utilizam a moto para trabalhar e nem sempre apresentam convivência tranquila na via”, ressalta o especialista. Na sua opinião, a alta velocidade e o desrespeito à legislação de trânsito são as principais causas desses imprevistos indesejáveis.

Mais visível – As vítimas sofrem diferentes graus de sequelas, como trauma cranioencefálico e lesão de membros inferiores. Pedrinelli explica que o tratamento depende do grau da extensão da fratura. Se comprometer as pernas, por exemplo, será necessária operação e até um ano e meio de reabilitação para, então, retornar às atividades sociais e rotineiras.

“Muitas vezes o motociclista não é visível nas ruas. Por isso, deve usar roupas apropriadas, acender as lanternas do veículo mesmo durante o dia e nunca ‘costurar’ na via nem conduzir na calçada. Deve observar com atenção a velocidade permitida e não consumir álcool”, recomenda Pedrinelli, que também é secretário-geral da SBOT.

Comportamento – Para investir na educação de trânsito, a sociedade lançará a campanha de prevenção aos acidentes com motos, amanhã, 19, quando será comemorado o Dia Nacional do Ortopedista. Com o tema Segurança em duas rodas, a ação começa em Belo Horizonte e pretende inserir todas as capitais brasileiras até o final do ano. A meta é distribuir fôlderes explicativos à população para que atentem aos principais acidentes com motos, a regras de boa convivência e, assim, estimular mudanças de comportamento.

Desafio – “Decidimos pela temática Segurança em duas rodas porque os acidentes com moto, atualmente, representam o maior desafio para os ortopedistas diante das múltiplas fraturas provocadas”, conta o presidente da SBOT, Marco Antônio Percope.

“O usuário de moto é a maior vítima do trânsito. Ele jamais deve se esquecer do capacete e ficar atento para que o modelo seja completo, com fechamento frontal e certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia,Qualidade e Tecnologia (Inmetro)”, adverte o coordenador nacional da campanha da SBOT, Wagner Nogueira da Silva.

A pesquisa constatou também que em quase metade dos acidentes com motos (49,2%) houve necessidade de internação hospitalar; e mais da metade (53,8%) dos acidentados utiliza a moto como instrumento de trabalho. A cada ano, cerca de 12 mil pessoas perdem a vida em acidentes em duas rodas – são 28% das vítimas fatais de todos os acidentes no transporte terrestre brasileiro.

Educação – O coordenador Silva destaca que os traumas são, na maioria das vezes, múltiplos, como os de face, tórax, pernas e braços. “A vítima é sempre muito jovem e do sexo masculino (87%)”, completa. Ainda segundo a pesquisa, 52% são motociclistas entre 18 e 30 anos; em 28% dos casos, de 30 a 40 anos; e 20%, com mais de 40 anos.

Ao refletir sobre o Dia Nacional do Ortopedista, Pedrinelli informa que essa especialidade médica atende desde crianças, jovens, adultos até os mais velhos na prevenção, diagnóstico e tratamento de lesões do aparelho musculoesquelético. O ortopedista tem formação especializada para tratar casos de trauma, muito presentes na sociedade atual. “Movimentar o corpo faz parte da vida, mas gera acidentes domésticos, esportivos, entre outros. Por isso, também atuamos na prevenção de acidentes. A SBOT acredita no poder da educação para promover qualidade de vida”, diz o médico.

Viviane Gomes

Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

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